Topsyturvy: Liberdade musical além dos formatos
por Fernando Lalli

Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, teve uma das mais prolíficas e instáveis cenas no underground da segunda metade dos anos 2000. Bandas implodiam com a mesma força e espontaneidade com que surgiam – e mais tarde lá estavam os integrantes montando outras duas ou três bandas novas tão boas quanto ou melhores que a anterior, e voltavam a implodir.

Esse movimento de finitude e renascimento, desconstrução e construção, pode ser ouvido em cada compasso torto do Topsyturvy, trio que incorpora todos os espíritos inquietos que vagam por sua cidade natal numa mistura que eles mesmos chamam de “rock abrasileirado e frenético”. Desde 2009, a banda hoje formada por Alexandre Lima (guitarra e vocal), Gustavo “Gummer” Rodrigues (bateria) e Athos Araújo (baixo) é um caso raro de músicos que descarregam milhares de notas por minuto e, mesmo assim, negam a virtuose pela virtuose.

A fome de palco é o destaque do trio: até o início de 2016, o Topsyturvy fez quase 250 apresentações em dezenas de cidades dentro e fora do Estado de São Paulo. A cada show, enquanto os riffs e as quebras de ritmo se sucedem capturando os ouvidos incautos, surge uma ponte sonora que liga o Alice In Chains ao Frank Zappa fase “Zoot Allures”, construída com vigas de Queens Of The Stone Age, blocos de System Of A Down e pavimento fusion, dando vazão à paranoia urbana que infesta a persona por trás dos vocais.

Mas a música livre e desgovernada sempre é mais importante do que qualquer referência – até mesmo do que o próprio conceito de “obra”: uma sutileza que se reflete nos nomes das músicas, que parecem ser batizadas com as primeiras palavras que vêm à cabeça dos integrantes: “Feliz”, “Tambor”, “Cretina”, “Sanfona” e “DeNada”, só para citar alguns exemplos.

O primeiro EP, entitulado “-1”, veio em 2009 e trazia três músicas que no ano seguinte apareceriam também no primeiro disco da banda, “Topsyturvy”, tudo isso na época em que a banda ainda era um quarteto. Com a nova formação em trio, veio o EP “Noises” em 2012 com cinco músicas – ou algo assim, já que no segundo semestre de 2014 a banda lançou um novo registro de cinco canções inéditas que os integrantes dizem completar o disco “Noises”, que começaram a lançar (?) dois anos antes. Todo esse trabalho foi finalmente consolidado e lançado em CD ao final de 2015.

Enfim, nomes não importam, formatos tampouco. Para o Topsyturvy, a música é livre como uma jam infinita e assim deve permanecer.

2018-09-08T18:21:33+00:00

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